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AMBIENTE:
Edifícios verdes ajudam no combate à mudança climática
Stephen Leahy

Toronto, 17/03/2008, (IPS) - Construir edifícios “verdes” é a maneira mais simples e efetiva de reduzir as emissões de gases causadores do efeito estufa e permite reduzir até 70% o custo do consumo de energia, segundo um órgão especializado do Canadá, Estados Unidos e México.

Os edifícios da América do Norte são responsáveis pelo lançamento na atmosfera de 2,2 bilhões de toneladas de dióxido de carbono por ano, um dos principais gases que causam o efeito estufa, aos quais a maioria dos cientistas atribui o aquecimento global. Essa quantidade equivale a 35% do total anual das emissões norte-americanas.

A Comissão para a Cooperação Ambiental (CCA), órgão integrado pelos três países, destacou que a rápida adoção das tecnologias já disponíveis ou em desenvolvimento para economizar energia reduziria as emissões de dióxido de carbono em até 1,7 bilhão de toneladas até 2030. Uma redução dessa magnitude praticamente equivaleria ao total de emissões de carbono do setor de transporte dos Estados Unidos em 2000. Esse país é o principal emissor de gases causadores do efeito estufa no mundo, com cerca de um quarto do total. “Melhorar nossos edifícios provavelmente seja a maior oportunidade de proteger nosso ambiente natural”, disse Adrián Vázquez, diretor-executivo da CCA.

A estratégias para “tornar verde” os prédios incluem o uso de artefatos elétricos que utilizem eficientemente a energia, painéis solares, amplas janelas que eliminem a necessidade de iluminação artificial durante o dia e jardins nos tetos para reduzir a temperatura de apartamentos e escritórios no verão e os isolem do frio no inverno. “Os edifícios verdes são a fruta madura que temos mais ao alcance da mão para conseguir uma significativa redução das emissões contaminantes”, disse Vázquez à IPS. Os edifícios são o elefante dentro de uma loja em termos de uso de energia e recursos, segundo o estudo apresentado quinta-feira. Nos Estados Unidos, devoram 40% do total de energia consumida, com 1,24 milhões de novas casas da família construídas por ano.

No Canadá, consomem a metade de todos os recursos naturais utilizados. No México, utilizam 25% da eletricidade e geram 20% do lixo do país. Os edifícios mais eficientes hoje em dia consomem 70% menos energia do que os convencionais. Mas, apesar de seus comprovados benefícios ambientais, econômicos e para a saúde, representam apenas uma pequena fração das novas construções, sejam residenciais ou comerciais. Não chegam a 0,5% das construções residenciais no Canadá e nos Estados Unidos, menos ainda no México, e apenas a 2% do mercado imobiliário não residencial nos dois primeiros países.

Uma das razões é que o custo da energia não é tão alto para construtores e consumidores. Milhares de milhões de dólares em subsídios governamentais mantêm os preços baixos e desestimulam a construção desse tipo de edifício mais econômico. No México, o governo “subsidia fortemente” a produção de eletricidade, disse Vázquez. Não há incentivos financeiros para construir prédios mais eficientes e a maioria dos compradores de casas não pode enfrentar o maior custo inicial, embora no longo prazo o investimento implique uma economia de dinheiro, acrescentou.

Os edifícios verdes são mais caros de construir, mas esse investimento tem retorno em cinco ou seis anos”, disse Jonathan Westeinde, presidente do grupo de assessores da CCA. “O problema é que os que se beneficiam da economia no futuro são seus ocupantes, inquilinos ou proprietários, não a companhia construtora”, acrescentou. Uma forma de cortar o círculo vicioso é os governos estabelecerem técnicas de construção verdes como padrão usual para os novos edifícios ou a renovação dos antigos. O informe da CCA “Edificação sustentável na América do Norte” exorta todos os governos, líderes industriais e ONGs da região a fixarem metas claras que permitam adotar o quanto antes normas de construção amigáveis com o meio ambiente.

Os edifícios “verdes” consomem menos água, geram menos lixo e beneficiam a saúde e a produtividade de seus residentes, com benefícios para o governo e o conjunto da sociedade, disse Westeinde. O custo anual por doenças relacionadas com as condições dos edifícios é de aproximadamente US$ 58 bilhões nos Estados Unidos, segundo a CCA. Os prédios “verdes”, além disso, têm o potencial de gerar US$ 200 bilhões anuais adicionais em conceito de melhor desempenho trabalhista nesse país, criando escritórios com melhor ambiente para se trabalhar.

A renovação dos edifícios existentes é o maior fator de redução de emissões de dióxido de carbono, segundo o estudo. Um contexto regulatório e novos mecanismos para financiar essas modificações são fundamentais, mas os governos ignoram completamente o setor da construção. O fato é que os prédios comerciais substituem suas janelas ou sistemas de calefação e refrigeração a cada oito ou 12 anos, mas instalam equipamentos que apenas atendem às exigências mínimas, disse Westeinde. “A indústria da construção é a que menos investe em pesquisa e desenvolvimento. Há um grande potencial para melhorar”, afirmou. (IPS/Envolverde) (FIN/2008)

 
Terramérica - Meio Ambiente e Desenvolvimento
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