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Economia
Crescimento mundial com altos custos
Mattias Creffier

Bruxelas, 14/12/2006, (IPS) - Nos próximos 25 anos, a globalização permitirá um aumento da renda média da população mundial mais rápido do que o registrado entre 1980 e 2005. Entretanto, se isto não for gerido de forma adequada, poderá agravar as desigualdades sociais e os danos ambientais, alertou o Banco Mundial.


Para 2030, 1,2 bilhão de pessoas, 15% da população do planeta, farão parte da classe média mundial, agora constituída por 400 milhões.

Mas o aumento da riqueza pode aprofundar as desigualdades de renda e as pressões ambientais, diz o Banco em seu estudo “Perspectivas econômicas mundiais 2007: Enfrentar a nova etapa da globalização”, divulgado nesta quarta-feira. Várias organizações não-governamentais acreditam que as advertências da instituição são inconsistentes com sua posição sobre o livre comércio. Nos próximos 25 anos, o crescimento da economia mundial será impulsionado cada vez mais pelos países em desenvolvimento, particularmente os da Ásia, diz o documento.

A economia mundial poderá passar dos US$ 35 trilhões em 2005 e chegar a US$ 72 trilhões em 2030. A participação do Sul na produção mundial crescerá de um quinto para quase um terço, prevê o informe. Apesar do esperado crescimento da população mundial para oito bilhões de habitantes até 2030, o número de pessoas com renda inferior a um dólar diário cairá dos 1,1 bilhão atuais para 550 milhões. A classe média irá triplicar, já que mais pessoas em países em desenvolvimento estarão passando da agricultura para empregos melhor remunerados na indústria e nos serviços.

Para 2030, 1,2 milhão de pessoas ganharão entre US$ 4 mil e US$ 17 mil por ano. Isto dará a países tão diversos como China, México e Turquia um padrão de vida médio comparável com o da Espanha atual. Mas o aumento da riqueza terá custos sociais e ambientais. A África é o continente que ficará mais atrasado devido à sua fragilidade política e vulnerabilidade diante das flutuações dos preços das matérias-primas. Em dois terços dos países em desenvolvimento a brecha entre a renda dos ricos e pobres aumentará, prevê o Banco Mundial.

Isto porque uma economia global mais integrada oferece melhores oportunidades para os que têm mais estudos, enquanto os trabalhadores sem capacitação deverão competir duramente e provavelmente tenham de aceitar salários inferiores para se manterem no emprego. As pressões do mercado trabalhista serão parcialmente contrapostas pela fome da China e Índia por energia, tecnologia e bens de investimento. Os investimentos em pesquisa, educação e capacitação se tornarão mais importantes para sobreviver em uma economia mundial altamente competitiva.

O informe propõe um aumento na ajuda ao desenvolvimento e o fim das barreiras aos produtos do Sul, especialmente os agrícolas e os das manufaturas intensivas. Para Etienne De Belder, da organização humanitária Oxfam, os conselhos do Banco Mundial carecem de consistência. “Os países que seguiram o modelo de desenvolvimento baseado nas exportações proposto por essa instituição ficaram com uma ressaca social e econômica. Só se via o empobrecimento na África subsaariana ou o desmatamento na Indonésia”, disse à IPS. O Banco não está aprendendo com o passado e se encontra em uma posição ruim para dar lições para o futuro, acrescentou Belder.

“Não se pode promover uma liberalização econômica e ao mesmo tempo pedir mais regras para solucionar os problemas ecológicos e sociais. Os empresários da África não estão prontos para se colocarem diante da competição mundial. Enquanto persistirem as desigualdades não haverá um livre comércio benéfico para todas as partes”, afirmou Belder. (IPS/Envolverde) (FIN/2006)

 
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