Água: Entre o desperdício e
a escassez
Thalif Deen
Estocolmo, (IPS) - O mundo está à beira de “uma nova era de
escassez de água, a mais seria da história”. Essa advertência
foi feita por especialistas que participam da 17ª Semana Mundial
da Água na capital da Suécia.
A disponibilidade de água está em perigo por ameaças com a
mudança climática, o aumento da população global e o repentino
crescimento do sedento setor bioenergético. O diretor-executivo
do Instituto Internacional da Água, com sede em Estocolmo,
Anders Berntell, alertou que 1,4 bilhão de pessoas vivem em
regiões com escassez real de água e outros 1,1 bilhão em áreas
onde ela é consumida em excesso.
“Estes números aumentarão no futuro, devido ao crescimento
demográfico, à intensificação da agricultura e à mudança climática”,
afirmou Berntell perante cerca de dois mil profissionais,
técnicos, cientistas e políticos ligados à água. A conferência
anual, que acontece esta semana, é considerada a maior reunião
mundial de especialistas na matéria, entre eles membros de
mais de 150 instituições. “Não estamos preparados para enfrentar
as implicações que isto tem para nosso planeta. Há um componente
de seguranças que ainda não é plenamente compreendido ou abordado
no âmbito internacional. E não estou falando de escassez hídrica,
mas da segurança política”, acrescentou o especialista.
Água: Chave para a estabilidade
social
Thalif Deen
Estocolmo, (IPS) - Uma alta funcionária da Organização das
Nações Unidas conhece pessoalmente o que é viver sem acesso
à água potável, já que realiza freqüentes viagens à sua Tanzânia
natal.
A subsecretária-geral da ONU e diretora-executiva do Programa
de Assentamentos Humanos das Nações Unidas (ONU-Habitat),
Anna Tibaijuka, disse que sempre que volta para sua casa em
Dar-es-Salaa de férias tem grandes dificuldades para conseguir
água limpa. “Não há água no bairro”, disse, ao assinalar os
problemas enfrentados por muitas cidades africanas de rápido
crescimento, bem como outras restantes do Sul em desenvolvimento.
Tibaijuka contou à IPS que precisa comprar água engarrafada
cada vez que volta a Dar-es-Salaam, uma típica cidade com
problemas de acesso a esse recurso e que cresce ao ritmo de
4% ao ano. Sua população duplica a cada 15 anos. A funcionária
disse que o explosivo crescimento dos centros urbanos nos
últimos 30 anos está reduzindo os outrora plenos recursos
hídricos. “Várias cidades metropolitanas estão enterradas
em problemas”, disse a subsecretária-geral da ONU, citando
o caso do México, que afundou 11 metros nos últimos 70 anos.
A causa? O uso excessivo dos recursos hídricos subterrâneos.
A ONU informou que mais de um bilhão de pessoas não têm acesso
à água potável em todo o mundo, enquanto mais de dois bilhões
carecem de saneamento adequado. Tibaijuka ressaltou que são
os grupos mais pobres que sofrem particularmente os problemas
de saúde e ambientais derivados desta situação. “São os que
têm menos possibilidade de pagar uma casa de boa qualidade
em bairros onde há água potável, saneamento adequado, coleta
de lixo, ruas pavimentadas e bueiros”, acrescentou.
Ambiente: Menos peixes no Oceano
Índico
Soma Basu, Índia
Tamil Nadu, (IPS) - As pequenas ondas gentilmente beijam a
plataforma branca de cinco por cinco metros que funcionava
como um local de encontro para ocasiões especiais, desde casamentos
até comemorações pelo Dia da Independência, para os dois mil
moradores da localidade costeira indiana de Uppoor.
Mas hoje é o lugar de discussões dos habitantes preocupados
com a diminuição das populações de peixes nas águas azuis
do oceano Índico e com a ameaça que isto representa para seu
sustento. Os moradores de Uppoor, no distrito de Ramanathapuram,
na província de Tamil Nadu, puderam superar a devastação causada
pelo tsunami de dezembro de 2004, mas ainda lidam com os efeitos
da degradação ambiental, agravados pelas alterações no nível
do mar, creditadas à mudança climática.
“Alguns de nós economizamos dinheiro e compramos botes motorizados.
Mas agora não vale a pena gastar em combustível para entrar
no mar”, disse Abdul Qadir, um pescador local. Mani Palianchamy,
de 70 anos, sofre ao ver como o que foi o ofício de sua família
por cinco gerações pouco a pouco se transforma em algo insustentável.
“É culpa dos botes mecânicos, da pesca de arrasto e de várias
outras modernidades”, disse, com tristeza. Mais de um terço
da população indiana na costa do oceano Índico, em particular
no golfo de Mannar, depende da pesca para sobreviver.
Ambiente: Nigéria, um
petroleiro movido a lenha
Toye Olori
Lagos, (IPS) - A Nigéria enfrenta um paradoxo. É
o sexto produtor mundial de petróleo, mas seus habitantes
dependem da madeira para ter combustível.
Musa Amiebinomo, funcionário do Departamento de Silvicultura,
disse que aproximadamente 70% da população deste
país de mais de 140 milhões de habitantes vivem
em áreas rurais e dependem de recursos florestais,
especialmente a madeira, para atender suas necessidades domesticas
de energia. Isto provoca a destruição das florestas,
agravada pelo corte comercial ilegal.
O informe “Estado das florestas do mundo”, divulgado
em 2005 pela Organização das Nações
Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO),
diz que entre 1990 e 20005 a Nigéria perdeu 37,5% de
suas áreas florestais. O ambientalista Boniface Egboka,
decano da Escola de Estudos de Pós-graduação
da Universidade de Anambra, afirmou que o uso predominante
de lenha como combustível esta ligado à crescente
corrupção no poder